História de Terror - A Estrada Entre as Árvores”






A Estrada Entre as Árvores”

História de terror 

Uma história de terror assustadora sobre lobisomens em uma floresta do leste europeu.

O carro alugado quebrou perto do entardecer, quando a estrada já não era mais do mapa e se estreitava entre pinheiros altos, compridos como lanças enfiadas no céu cinza.

Thomas tentou dar partida mais uma vez. O motor só tossiu.

— Devíamos ter ficado na cidade — disse Eleanor, mirando a névoa que subia do chão como vapor de um animal adormecido.


Carregaram as mochilas e caminharam. A estrada sumia alguns metros à frente, engolida pela floresta. Nada de sinais, nada de casas. Apenas o som de algo distante quebrando gravetos — mas baixo demais para ser árvore caída e rápido demais para ser vento.


No leste europeu, lembrava Eleanor, dizia-se que certas florestas eram antigas demais para pertencerem às pessoas. Carregavam coisas que o cristianismo tolerou, mas nunca domou.

Lobisomens.

Homens que cruzaram limites.


— É só um animal — disse Thomas, para ele mesmo.

O barulho parou quando ele falou. E depois continuou, um pouco mais perto.


Seguiram até encontrarem uma velha capela de pedra ao lado da estrada. Nem janelas tinha. Só uma porta empenada, marcada por uma série de entalhes tão profundos que pareciam unhas.

Havia algo escrito em uma língua que nenhum dos dois reconheceu.

Eleanor tocou os símbolos. A pedra estava quente.


Um uivo cortou a floresta. Não soava como nos filmes. Era mais baixo, arrastado, como se viesse de dentro de um peito humano que se recusava a desistir do que restava da própria voz. Parecia coisa de história de terror.


Thomas abriu a porta da capela. O interior cheirava a terra molhada, ferro e cães. Havia trapos espalhados. Ossos pequenos demais para serem humanos. Grandes demais para serem de qualquer animal dali.

No canto, um amuleto de ferro negro. Um lobo de duas cabeças.

Eleanor engoliu seco.

— Não devíamos estar aqui.


Os passos do lado de fora ficaram lentos. Firmes.

Depois um arranhão na pedra.

Outro.

Depois o som de algo respirando do lado de fora da porta, sentindo o cheiro deles.


Thomas segurou a mão de Eleanor. Apertou forte.

A respiração do lado de fora ficou mais pesada, como se a criatura decidisse alguma coisa.


A madeira rangeu.


E então… silêncio.


Tão absoluto que os dois sentiram o próprio sangue circulando nos ouvidos.

Thomas abriu a porta um pouco. Só o suficiente para espiar.


Noite.

Névoa.

E pegadas profundas na lama, indo de volta para a floresta. Pegadas que começavam com quatro patas… e terminavam com duas.


— Ele voltou a ser homem — sussurrou Eleanor.

— Por quê?

Ela não respondeu. Mas olhou para o amuleto no chão.


Só quando o primeiro raio de sol tocou as árvores, eles deixaram a capela. Caminharam rápido, sem falar, até encontrarem um caminhão passando horas depois.


Ninguém acreditou na história. Só anotaram a placa do carro alugado e enviaram gente para buscar.


Nunca encontraram o carro.

Mas encontraram, na beira da estrada, um amuleto de ferro negro.

Um lobo de duas cabeças.

E arranhões recentes na porta antiga da capela — mais profundos do que antes.


Como se alguém tivesse voltado.