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Garras afiadas

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  A Lua cheia erguia-se no céu noturno  Ao longe na escuridão o clarão de uma fogueira se avistava Sapos coaxavam no pântano sombrio Protegido do frio pela chama Um homem dormia  Das sombras  Das águas insalubres vinha o som  De algo caminhando pelo pântano  Uma respiração pesada fez-se ouvir  O homem os olhos abriu Debaixo do pesado cobertor Ele abraçava seu maior tesouro  E algo mais que nas mãos segurava  Os ouvidos atentos O súbito silêncio estudava. Para o caçador que pela noite vagava  Um cheiro delicioso a brisa levou  Para o céu estrelado sua cabeça levantou  E um urro medonho, um desafio lançou  Sob a luz da fogueira ardente  De um salto de pé o homem pôs-se  Em uma das mãos um sabre resplandescente   Na outra um LeMat revólver   O torso nu do homem cicatrizes revelava Sua barba por fazer Os olhos fixos no pântano  Às margens do qual acampara. No chão, sob o cobertor algo se movia So...

Medo...

A noite estava tranquila e abafada quando a gatinha entrou na sala e deitou no tapete. Emerson nunca a tinha visto antes. Ela simplesmente entrou pela porta adentro, deitou-se e ficou ali a ..... Observá-lo.  Emerson desviou o olhar da televisão e contemplou o animal. Era um filhote ainda. Talvez uns dois meses. Tinha olhos expressivos. Levantando da poltrona ele foi até a cozinha e instantes depois voltou trazendo uma lata aberta de sardinha. Colocou essa lata no chão da sala, sentou-se novamente e ficou observando. Enquanto na TV um repórter relatava alguma coisa sobre uma guerra a gatinha levantou-se e foi comer. O animal comeu todo o peixe e olhou para Emerson. Aproximou-se lentamente, enfiou as garras na perna do pijama e começou a escalar em direção ao colo onde deu algumas voltas e deitou-se.   Emerson sorriu e acariciou o animal que era pouca coisa maior que a sua mão. Quando o sono chegou Emerson levantou-se, ajeitou uma almofada e colocou o animalzinho sobre el...

O Lobisomem da Noite (Marvel anos 70)

Jack Russell, o Lobisomem da Noite (Werewolf by Night), é um personagem fascinante que surgiu num momento muito especial da Marvel. Origem e Contexto Jack Russell estreou em Marvel Spotlight #2 (fevereiro de 1972), criado por Roy Thomas e Gerry Conway, com arte de Mike Ploog. O personagem nasceu numa janela de oportunidade histórica: em 1971, o Comics Code Authority havia relaxado suas restrições, permitindo que vampiros, lobisomens e monstros voltassem às histórias em quadrinhos. A Marvel aproveitou essa abertura ao máximo. A História de Jack Russell Jack era um jovem californiano que, ao completar 18 anos, descobriu a maldição que corria em sua família há séculos. Seu sobrenome verdadeiro era Russoff — uma família da Europa Oriental (reminiscente das origens clássicas do mito do lobisomem). O ancestral Gregory Russoff havia sido mordido por um lobisomem nos Cárpatos, transmitindo a maldição ao longo das gerações. Toda lua cheia, Jack se transformava involuntariamente num lobisomem — ...

A Lanterna da Senhora Yuki

A Lanterna da Senhora Yuki Era uma noite de verão, no período Edo, quando o jovem Kenji decidiu tomar o caminho proibido pela floresta de bambu para chegar mais depressa à cidade. Seu mestre havia avisado: "Nunca atravesse o bambuzal após o pôr do sol. Os mortos que não encontraram paz vagam por ali." Kenji, arrogante como todo jovem que ainda não aprendeu a temer o invisível, sorriu e entrou na floresta. A princípio, tudo estava quieto. Apenas o sussurro dos bambus e o canto distante de uma coruja. Mas então ele viu — uma luz suave, azulada, flutuando entre os caules verdes. Uma hitodama , a chama que escapa do corpo dos mortos. Seguiu a luz, hipnotizado, até encontrar uma mulher de quimono branco ajoelhada à beira de um riacho. Seus cabelos negros escorriam pelo chão como tinta derramada. Ela lavava algo nas águas escuras. Uma Kuchisake-onna , pensou Kenji, recuando — a mulher de boca rasgada que pergunta aos viajantes se é bela. Mas a mulher se virou devagar. Seu rosto es...

A Lua de Inhacorá

A Lua de Inhacorá O cachorro do seu Atílio parou de latir às 22h17 de uma sexta-feira de junho. Ninguém em Inhacorá notou. O jogo do Grêmio tinha terminado faz pouco, e a maioria dos homens ainda debatia o segundo gol no bar do Formiga. A dona Cleci tinha deixado a janela entornada porque o quentão esfriava mais rápido com o frio da Serra do que com a janela aberta, e ela gostava do quentão morno. O padre Heliodoro rezava sua terça-parte do terço às 22h17 como todas as noites, mas nessa noite específica, no segundo mistério, ele esqueceu a sequência e teve que recomeçar três vezes. O cachorro do seu Atílio se chamava Tostão. Era um vira-lata amarelo que latia para tudo — caminhões, lua, borboletas, o próprio rabo. Dezesseis anos latindo. Parou às 22h17. II. A primeira a perceber que algo estava errado foi a Rosângela, dezesseis anos, filha do Formiga, que desceu para buscar mais carvão na tulha dos fundos e viu a horta do vizinho. Ela voltou sem o carvão e não disse nada para ninguém. ...

Zumbis

O sítio ficava longe de tudo. Uma casa de madeira, um poço antigo, um galpão torto pelo tempo. À noite, o vento passava pelos milharais como se alguém andasse por entre eles, sussurrando segredos. Elias morava ali sozinho havia três meses. Ele dizia a todos que queria silêncio. Mas o silêncio do campo é um animal estranho. Às vezes respira. Na primeira noite, ouviu batidas na porta do galpão. Secas. Lentas. Três vezes. Pensou ser vento. Na segunda noite, ouviu de novo. Três batidas. Depois um arrastar pesado na terra. Elias pegou a lamparina e foi até lá. O galpão guardava ferramentas, sacos de ração e, atrás dele, o pequeno cemitério da família antiga que vivera naquele sítio antes de tudo apodrecer. Cinco cruzes tortas. Madeira comida pelo tempo. Quando abriu a porta do galpão, o cheiro veio primeiro. Um cheiro úmido. Antigo. Como terra aberta depois da chuva. A lamparina tremia em sua mão. Então ele viu as marcas no chão. Rastros de dedos. Vários. Vindo do cemitério. Elias caminhou ...