A Lanterna da Senhora Yuki Era uma noite de verão, no período Edo, quando o jovem Kenji decidiu tomar o caminho proibido pela floresta de bambu para chegar mais depressa à cidade. Seu mestre havia avisado: "Nunca atravesse o bambuzal após o pôr do sol. Os mortos que não encontraram paz vagam por ali." Kenji, arrogante como todo jovem que ainda não aprendeu a temer o invisível, sorriu e entrou na floresta. A princípio, tudo estava quieto. Apenas o sussurro dos bambus e o canto distante de uma coruja. Mas então ele viu — uma luz suave, azulada, flutuando entre os caules verdes. Uma hitodama , a chama que escapa do corpo dos mortos. Seguiu a luz, hipnotizado, até encontrar uma mulher de quimono branco ajoelhada à beira de um riacho. Seus cabelos negros escorriam pelo chão como tinta derramada. Ela lavava algo nas águas escuras. Uma Kuchisake-onna , pensou Kenji, recuando — a mulher de boca rasgada que pergunta aos viajantes se é bela. Mas a mulher se virou devagar. Seu rosto es...