Lobisomens de Zamboula
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(Uma aventura na era Hiboriana
A noite caíra sobre a cidade de Zamboula, engolindo o mercado e os becos com sua escuridão espessa. Um vento úmido carregava odores de carne em decomposição e de especiarias apodrecidas. Nas ruas estreitas, poucas lâmpadas de óleo tremeluziam, lançando sombras que se contorciam como serpentes.
Khalid, um mercenário de pele queimada pelo sol do deserto, caminhava com passos cautelosos, sentindo algo errado no ar. Havia um silêncio pesado, quebrado apenas pelo eco distante de garras arranhando o calçamento. Não eram ratos. Ele sabia disso pelo instinto, esse instinto que já lhe salvara a vida em tantas cidades sem lei.
Então ele viu: entre as sombras, um vulto que não era totalmente humano. O corpo era curvado, os músculos rígidos, e os olhos brilhavam com um vermelho animal. A criatura avançava com um andar que misturava a graça felina e a selvageria do lobo. Um uivo curto cortou a noite — não um lobo, mas algo mais velho, mais terrível.
Khalid puxou a lâmina curta, a única herança de sua terra natal, e se preparou. Mas a criatura não veio sozinha. De repente, sombras começaram a se mover nas paredes, transformando os becos em um corredor de dentes e garras. Cada passo que ele dava parecia levá-lo mais fundo na emboscada da cidade.
Quando a primeira sombra saltou sobre ele, Khalid viu que não era apenas um lobisomem, mas uma matilha inteira. Seus corpos eram humanos, mas a força e a ferocidade eram de bestas. Cada ataque era calculado, cada salto um predador que conhecia o terreno. Khalid cortou, perfurou, mas por cada sombra caída, outra surgia das paredes e telhados.
Então, no instante em que achou que ia sucumbir, ouviu um som distinto: o bater de asas e o estalo de ossos. Algo mais, algo antigo, surgira da escuridão para observar o caos. Khalid percebeu, então, que a cidade inteira parecia viva — uma criatura adormecida que agora despertava, atraída pelo cheiro de sangue e horror.
Quando a lua cheia atingiu seu auge, os gritos cessaram. A cidade de Zamboula voltou a um silêncio mortal, mas Khalid não estava mais lá. Apenas a lâmina caída e o cheiro de ferro e pelo lembravam que algo havia atravessado aquela noite. A cidade, silenciosa, continuava respirando, mas agora, todos os becos escondiam olhos vermelhos que esperavam.
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