O Lobo, uma história de terror
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Uma história de terror
A lua subiu devagar, como se relutasse em olhar para a vila.
No silêncio, só se ouvia o rangido dos portões de madeira.
E o vento — sempre o vento — trazendo um cheiro metálico que ninguém queria reconhecer.
Tomás caminhava rápido, o casaco apertado contra o peito. Não correu.
Quem corre chama atenção. Quem corre parece presa.
Ele passou pela velha ponte. A água sob as tábuas estava escura demais, parada demais.
Um fio de ar quente soprou na nuca dele, como o hálito de alguém que se aproxima devagar.
Tomás não olhou.
Sabia que, quando se ouve passos que não fazem som, já é tarde.
E que, quando uma sombra anda ereta como um homem, mas respira como um animal, não adianta rezar.
A ponte rangeu.
Depois veio o arranhão — lento, comprido — como se garras estivessem provando a madeira.
E então o faro: um sopro úmido, interessado, descobrindo quem ele era… e o que ainda batia no peito.
Tomás fechou os olhos e pensou que seria rápido.
Mas os lobisomens da região nunca tinham pressa.
Gostavam de ouvir o medo amadurecer antes da carne.
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