O Lobisomem da Mata Atlântica

O Lobisomem  da Mata Atlântica 

História de terror

Lobisomem 


Era uma noite de lua cheia em uma pequena vila nos arredores de uma Curitiba que já não existe mais. Um lugar onde as neblinas do inverno paranaense se misturavam ao cheiro de terra úmida e eucalipto. Pedro, um lenhador solitário que vivia no limite da mata atlântica, ouvia os uivos há semanas. No começo, achava que eram cães selvagens, mas os sons vinham mais próximos a cada lua cheia, ecoando como um lamento humano distorcido.Naquela sexta-feira fatídica, o vento uivava forte quando Pedro decidiu investigar. Armado com um machado enferrujado e uma lanterna velha, ele adentrou a floresta escura. As árvores pareciam se inclinar sobre ele, e o chão estava coberto de folhas que rangiam como ossos sob seus pés. De repente, um galho estalou atrás dele. Virou-se rápido, mas só viu sombras dançando na luz trêmula.Então, ele a viu: uma figura colossal emergindo da escuridão, com pelagem cinzenta desgrenhada e olhos amarelos que brilhavam como brasas. Não era um lobo comum – media mais de dois metros nas patas traseiras, garras curvas como facas e presas que pingavam saliva espumosa. O lobisomem rosnou, revelando dentes afiados o suficiente para rasgar metal. Pedro congelou, o coração martelando no peito. Ele brandiu o machado, mas a besta saltou com velocidade sobrenatural, derrubando-o no chão lamacento.Enquanto as garras rasgavam sua jaqueta, Pedro percebeu o pior: o cheiro da criatura era familiar, como o do velho fazendeiro da vila, Seu Manoel, que desaparecera na lua anterior. O lobisomem hesitou por um instante, como se reconhecesse algo nele, mas o instinto venceu. Com um rugido gutural, cravou as presas no ombro de Pedro. A dor era insuportável, um fogo que se espalhava pelo corpo.Pedro acordou ao amanhecer, nu e coberto de sangue, o machado ao seu lado intocado. Correu de volta à vila, mas ao se olhar no espelho improvisado de uma poça d'água, viu os olhos começando a amarelar. A lua cheia voltaria em um mês. E ele sabia: o ciclo havia começado. Os uivos agora ecoavam dentro de si.