Garras afiadas

 


A Lua cheia erguia-se no céu noturno 


Ao longe na escuridão o clarão de uma fogueira se avistava

Sapos coaxavam no pântano sombrio

Protegido do frio pela chama

Um homem dormia


 Das sombras 

Das águas insalubres vinha o som 

De algo caminhando pelo pântano 

Uma respiração pesada fez-se ouvir 

O homem os olhos abriu


Debaixo do pesado cobertor

Ele abraçava seu maior tesouro 

E algo mais que nas mãos segurava 

Os ouvidos atentos

O súbito silêncio estudava.


Para o caçador que pela noite vagava 

Um cheiro delicioso a brisa levou 

Para o céu estrelado sua cabeça levantou 

E um urro medonho, um desafio lançou 


Sob a luz da fogueira ardente 

De um salto de pé o homem pôs-se 

Em uma das mãos um sabre resplandescente 

Na outra um LeMat revólver 


O torso nu do homem cicatrizes revelava

Sua barba por fazer

Os olhos fixos no pântano 

Às margens do qual acampara.

No chão, sob o cobertor algo se movia


Sobre o pântano infecto

Em meio a escuridão duas órbitas reluzentes 

Refletiam a claridade da fogueira 

Na margem o homem uma oração recitou 


Algo imenso e coberto de pelos negros e reluzentes saltou das sombras 

Um disparo à queima roupa a recebeu 

O sabre o homem brandiu e sobre o vulto avançou.


Garras afiadas o flanco do guerreiro atingiram 

Em resposta uma estocada rápida feriu o peito da fera 

E uma bala um de seus olhos tirou


A coisa recuou para as sombras 

Mas embora não foi

Seus olhos incandescente na escuridão ainda eram vistos

O homem a coisa rodeou

Maldade pura exalou 

E então avançou 


O homem atirado para o lado foi 

E sobre o cobertor a criatura aterrissou Choro e gritos encheram o ar

Um sorriso perverso a criatura esboçou.

Isso foi antes de sobre o seu dorso o homem cair e nele as pernas enlaçar 


Na cabeça da fera o LeMat encostou

E com um estouro o crânio esmigalhou

E o sabre o resto do trabalho fez

Separando o crânio de vez

Empurrando a carcaça para o lado o cobertor o homem levantou e de sobre ele uma criança pegou 


“Você está bem, filha?”

A menina de uns dez ou onze anos 

Cabelos negros e olhos assustados 

A cabeça no ombro do pai recostou.

O homem no chão a colocou

E uma camisa vestiu


“Aqui não é mais seguro,

Temos que partir já “

A fogueira ele

 apagou

Suas coisas ajuntou e lado a lado 

Do pântano se afastaram.