Rastros na Neve. Uma história de terror e redenção

 Rastros na Neve

Uma história de terror 

Autor Sandro Jarbas Malheiros 

Essa história é apenas um rascunho inacabado. Mau o comecei.

"Aquele foi o inverno mais rigoroso que William já passara na montanha. A neve se acumulou com quase um metro fora da casa.

Em seu interior apenas o homem e suas três meninas.

Sentados em frente a lareira escutavam uma novela no rádio. Sobre essa lareira um retrato de uma mulher índia os observava, brilhantes cabelos negros emoldurando seu rosto. Ao lado o retrato de uma linda jovem de uns quatorze anos lhe fazia companhia.

Quando a novela acabou as três meninas levantaram-se, beijaram o rosto do pai e foram para suas camas.

Quando a última porta se fechou no corredor, William ficou sozinho com o estalo da lenha. O rádio já não dizia nada. O silêncio voltou a ocupar a casa, pesado como a neve no telhado.

Ele olhou os retratos mais uma vez. A mulher indígena parecia nunca piscar. A jovem ao lado tinha o mesmo formato de rosto. William desviou o olhar. Algumas coisas não precisavam ser lembradas todas as noites.

Foi então que ouviu o vento mudar.

Não era o uivo comum que descia da montanha. Aquilo vinha mais fundo, como se a própria encosta respirasse. William se levantou devagar e foi até a janela. A neve caía de lado. Entre os pinheiros, algo se movia com dificuldade, grande demais para ser um homem, lento demais para ser um animal comum.

William pegou o rifle de sobre a lareira e carregou-o. Vestiu seu grosso casaco, apanhou as raquetes  de neve ao lado da porta e saiu. Finalmente a coisa voltará e ele não pretendia abrir mão do resto da sua família.

Caminhou com dificuldade sobre a neve fofa, o vento gelado a fustigar-lhe o rosto. Foi na direção que vira a besta seguir. Adentrou a floresta e andou uns vinte metros com a arma engatilhada nas mãos. Encontrou o que procurava no velho cemitério da sua família.

Estava ali, agachada entre os túmulos de seus pais, em frente a sepultura de Flor da Pradaria.

William encheu-se de ódio. Aquilo não tinha o direito de estar ali.

Levantou a arma. Fez mira. O dedo tremia no gatilho. Mas havia alguma coisa errada. Alguma coisa muito errada. Lembrava muito bem. A coisa era enorme. Maior do que um urso pardo. E a criatura em frente a lápide era pequena, fragiu, delicada. E...

Um frio horrível apoderou-se do homem. De uma forma inumana a coisa parecia... chorar?

A cabeça virou-se em sua direção. Sob a luz da lua cheia William encarou a besta nos olhos. Suas mãos fraquejaram. A arma caiu sobre a neve. Maís rápido do que qualquer coisa que William conhecesse aquilo desapareceu no mato. Deixando pra trás um homem ajoelhado sobre a neve a chorar como a décadas não chorava.

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