A Pensão da Lua Cheia
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Quando Fred chegou a pequena vila alemã o sol começava a por-se por trás dos morros lançando sombras sobre a terra. Sentia-se cansado da longa caminhada carregando a pesada mochila nas costas. Tudo que queria era encontrar um lugar para jantar e passar a noite abrigado do vento frio que começara a soprar.
As casas de pedra e madeira escura pelas quais passava tinham telhados inclinados cobertos de telhas vermelhas e janelas pequenas com persianas de madeira, refletindo a luz pálida da lua. A única lanchonete que encontrou estava fechada. Já estava quase desistindo quando uma placa mais a frente na rua deserta chamou-lhe a atenção. Dizia "Pensão Lowen".
Fred puxou o zíper da grossa jaqueta que estava usando e apertou o passo. Ao empurrar a porta de madeira, um sino antigo tocou, ecoando pelo hall. O cheiro de madeira velha, lenha queimando e o leve aroma de cerveja escura e pão recém-assado dominava o ambiente. O salão tinha tapeçarias gastas, mesas de madeira riscadas e um relógio antigo de parede que rangia a cada batida, misturando-se ao tilintar de copos que vinham da cozinha. As poucas pessoas sentadas às mesas conversavam baixinho e pareceram nem reparar nele.
Uma mulher idosa surgiu do corredor: cabelo branco preso em coque, olhos penetrantes e mãos enrugadas segurando um avental limpo. — Um quarto para uma noite? E quem sabe um prato de comida e uma garrafa de cerveja? — Fred perguntou, em inglês com sotaque carregado. Ela assentiu, indicando-lhe uma mesa vazias e depois que ele alimentou-se levou-o por um corredor estreito, com quadros de paisagens alpinas e vasos com flores secas nas prateleiras, até a chave: o último quarto no andar de cima.
O quarto era pequeno, mas aconchegante. Uma cama de madeira escura com colcha pesada de lã, cortinas grossas que deixavam apenas um fio de luar entrar, e um tapete gasto de padrão bávaro no chão. Uma mesinha de cabeceira sustentava uma lâmpada fraca, um copo de vidro empoeirado e um pequeno livro de contos folclóricos locais. O cheiro de madeira encerada misturado ao leve odor de vela queimada preenchia o ar. Fred apoiou a mochila no canto, notando o silêncio denso, interrompido apenas pelo farfalhar do vento entre as árvores da floresta próxima e o rangido da escada de madeira que conduzia ao andar de baixo.
O relógio da sala de jantar bateu onze horas quando Fred se deitou e finalmente fechou os olhos. O sono não custou a vir. Mas durou pouco.
Um uivo rasgou a noite, longo, feroz, próximo demais. Ele levantou-se, abriu a janela e viu figuras correndo pela floresta: e pela rua lá embaixo. Altas, ágeis, com olhos que brilhavam como brasas. O vento carregava o cheiro de terra molhada e folhas podres. Fred sentiu o medo domina-lo.
Um golpe na porta. Fred correu para o corredor. O silêncio voltou e junto com ele uma incomoda sensação de estar sendo observado.
No quarto Fred, assustado, começou a vestir-se apressado. E então ouviu a voz da mulher no corredor, doce e lenta, mas estranhamente rouca, quase cantando:
— Você não faz idéia de a quanto tempo não nos divertimos meu jovem.
Fred correu pegar a mochila enquanto tentava pensar em uma forma de sair daquela enrascada. Foi quando ouviu um rosnado selvagem atrás de si. Olhou para o espelho. Atrás dele, refletido, havia um homem enorme, com o rosto parcialmente humano, parcialmente lobo, olhando com um sorriso perverso no rosto que ia pouco a pouco tomando feições mais e mais animalescas.
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