O Wendigo



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O vento cortava a floresta como navalha, carregando consigo o cheiro frio da neve antiga. Henry e seu irmão mais novo, Eli, se afastaram da trilha principal, tentando encontrar lenha seca para o acampamento. A noite caía rápido, engolindo os troncos e galhos em sombras densas.


“Henry… ouvi algo,” Eli sussurrou, agarrando o casaco do irmão. O som era baixo, distante, quase um estalo da madeira sob o peso de algum animal. Mas havia algo errado: os estalos não tinham ritmo natural. Pareciam… deliberados.


Eles chegaram a uma clareira e Henry viu marcas estranhas na neverastros alongados, finos, desproporcionais para qualquer animal que conheciam. Seguiam em círculos, como se algo tivesse caminhado ao redor deles, estudando-os. Eli engoliu em seco, e Henry sentiu a pressão da própria respiração.


Foi então que ouviram o assobio. Um som alto, agudo, que parecia penetrar nos ossos. Eli agarrou o braço do irmão, mas Henry não conseguia desviar o olhar. Entre as árvores, algo se movia: alto, magro, desprovido de humanidade. Seus olhos eram abismos negros, e a boca, um rasgo longo e faminto. O cheiro de carne podre e frio atacou o nariz de Henry.


O Wendigo, disseram seus avós, não era apenas um monstro. Era a fome que corrompia a mente, a carne que nunca se saciava. E agora estava diante deles.


Henry tentou correr, mas a sensação de estar sendo observado estava em toda parte. Cada árvore parecia estender garras, cada sombra parecia respirar com vida própria. O assobio se aproximava, cada vez mais rápido, mais próximo. E, de repente, Eli gritou — mas não era humano o grito que ecoou depois. Era longo, arrastado, distorcido, como se a própria floresta tivesse engolido sua voz e a devolvido deformada.


Quando Henry finalmente abriu os olhos, a neve estava silenciosa. Eli não estava mais ali. Apenas os rastros prolongados, agora levando para dentro da escuridão eterna da floresta. Henry soube, com uma certeza gelada, que eles nunca deixariam aquele lugar. Que a fome do Wendigo era infinita, e que, eventualmente, ele viria buscá-lo também.


O vento continuava a cortar a noite, e algo parecia assobiar entre as árvores, esperando, faminto.





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