O Lobisomem na Estrada Conto de terror. Lobisomem A chuva começou antes de Lapa e não parou mais. Não era forte. Era constante. O tipo de chuva que cansa o motorista e apaga as bordas do mundo. Ele saiu de Curitiba ao anoitecer. Levava o caminhão vazio. O rádio só chiava. A estrada estava escura e o asfalto brilhava como couro molhado. Ele conhecia aquele trecho até Porto Alegre , mas à noite tudo mudava. À noite a estrada não reconhecia ninguém. Viu o homem pela primeira vez perto de um posto abandonado. Estava parado no acostamento, encharcado, com o braço erguido. Não parecia bêbado. Parecia cansado. O motorista passou direto. Sempre passava. Mas no retrovisor viu que o homem não se moveu, apenas virou o rosto e acompanhou o caminhão com os olhos. Seguiu viagem. A chuva apertou um pouco. O limpador fazia seu trabalho, indo e voltando, indo e voltando. Depois de alguns quilômetros, o motor perdeu força. Nada grave, mas o suficiente para obrigá-lo a encostar. Desce...