🌘 A Estrada do Vento Morto (conto de terror)
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A estrada atravessava o vale como um risco escuro. Diziam que, se alguém caminhasse por ela depois do pôr do sol, o vento começava a seguir a pessoa.
E não parava mais.
O viajante não acreditou. Precisava chegar ao outro vilarejo antes da manhã. Pegou a estrada no silêncio das primeiras sombras.
O vento veio logo.
Frio, mas pesado, como se tivesse mãos.
Soprava só atrás dele.
Nunca ao lado.
Nunca na frente.
Ele apressou o passo. A cada minuto, o vento ficava mais próximo. Às vezes parecia que tentava imitar o som de passos — irregulares, arrastados.
Quando a lua surgiu por trás das montanhas, o viajante percebeu marcas na poeira: pegadas longas, fundas, caminhando exatamente onde ele caminhava… mas vindo na direção oposta.
Seguiu sem olhar para trás. Não devia.
Ninguém olhava.
Ao chegar às primeiras casas do vilarejo, o vento parou de repente.
A noite ficou imóvel.
O viajante respirou fundo.
Deu um passo adiante.
Atrás dele, a poeira da estrada se ergueu sozinha, como se alguém — ou alguma coisa — tivesse parado de caminhar naquele instante.
E esperasse.
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