História de terror - O lobisomem da Floresta

 O Lobisomem da Floresta 

História de Terror 

Por Sandro Jarbas Malheiros 


Depois de um acidente de carro Arthur descobre que a noite esconde coisas terríveis.


A primeira coisa que Arthur sentiu ao acordar foi dor. Muita. Em sua perna direita. Depois, ao abrir os olhos viu que já era noite. Escura e fria. Então veio a lembrança do acidente. O pneu furado. A batida na árvore. Não estava usando o cinto.

Tentou se levantar. A perna doeu muito, e ele caiu novamente no chão forrado de folhas secas. Sabia  que a estrada não estava longe. Precisava alcança-lá. Começou a arrastar-se tentando não pensar na dor. Sentia-se como que numa história de terror.

Alcançou o velho Monza com o parabrisa arrebentado encostado junto a uma grande árvore. Tentou levantar-se novamente usando o carro para se apoiar. Conseguiu. Foi quando escutou o uivo vindo da mata às suas costas. Sentiu um frio percorrer sua espinha. Não parecia um cão. Era muito mais sinistro. "Só pode ser brincadeira" - pensou ele. Então lembrou-se.

Abriu a porta do carro e remexeu no porta luvas. Achou e pegou o que queria. O trinta e oito em sua mão o fez sentir-se mais seguro. Sua perna doía muito. Sabendo que não conseguiria chegar na estrada sentou-se no chão, encostou as costas no carro e esperou.

No silêncio da noite o cheiro chegou primeiro trazido pela brisa. Um fedor de bicho e de podridão. Arthur respirou fundo e esperou. Não demorou muito. O vulto emergiu do mato a uns quatro metros de distância. Embora não conseguisse enchergar direito no breu noturno dava pra ver que era enorme. E os olhos...o homem engoliu em seco fitando as duas esferas amareladas que o ficavam.

Um ronco ameaçador rompeu o silêncio e a coisa começou a avançar. Arthur disparou uma, duas vezes. A coisa pareceu exitar um pouco mas não caiu. "Merda"- sussurrou o homem levantando o cano da arma e o encostando na tempora. "Me perdoa Deus, mas essa coisa não vai ter o prazer de me matar". Puxou o gatilho. Só então descobriu que a arma estava descarregada.

A coisa abriu um sorriso de dentes como navalhas enquanto sua presa fechava os olhos. "Merda"- pensou Arthur ao sentir o hálito quente e fétido junto ao seu pescoço.

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