Socorro
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por Sandro Malheiros
A menina surgiu do nada, no meio da estrada.
Joana pisou no freio, mas já era tarde.
O impacto soou seco, curto.
— Meu Deus... — murmurou ela, saindo do carro com o sargento Viana.
A garota estava caída de lado, o rosto meio encoberto pelo cabelo. Joana tocou-lhe o pulso, depois os lábios.
— Morreu — disse apenas.
Viana olhou em volta. O campo se estendia até onde a névoa deixava ver.
— Parecia estar fugindo de alguém — comentou.
Um ruído nos arbustos os fez se virarem. Algo se movia ali, pesado, arrastando folhas e galhos.
— Quem está aí? — perguntou Viana, a voz firme demais para ser natural.
O som cessou. Por um instante, só o vento.
Depois, passos. Lentos.
Viana ergueu a arma.
Os olhos — se eram olhos — refletiram o farol da viatura num tom avermelhado.
— Fome — disse uma voz.
Os disparos ecoaram pela estrada e logo o silêncio voltou.
Quando o dia nasceu, encontraram apenas o carro, com a porta aberta e o motor ainda morno.
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Nota do autor:
Inspirado por relatos de estrada e pelo silêncio que paira entre um grito e o amanhecer.
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