UMA VOZ EM UMA NOITE GELADA História de terror
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Uma velha história que eu escrevi já a alguns anos e que achei que tinha perdido.
UMA VOZ EM UMA NOITE GELADA
História de terror
A temperatura naquela longa noite siberiana devia estar em quarenta graus abaixo de zero. Só isso já devia fazer a velha Olga perceber que alguma coisa não estava certa. Mas infelizmente isso não aconteceu.
No escuro do quarto Piotr acordou e descobriu que estava sozinho debaixo dos pesados cobertores. A princípio pensou que sua esposa tivesse ido ao banheiro, mas prestando atenção nos sons noturnos percebeu que havia uma voz infantil que parecia camuflada no vento lá fora. Uma voz que parecia se camuflar em meio ao uivo incessante do vento. Assustado Piotr levantou-se rapidamente e saiu do quarto, deparando-se com a porta da sala aberta por onde entrava um vento gelado. E engoliu em seco...
Piotr aproximou-se da porta e observou atentamente a nevasca que caia na noite gelada... e viu entre a furia dos elementos dois vultos que se debatiam. Um grande e um pequeno... e sentiu um aperto no coração... porque sabia de quem era o vulto grande...
"Olga"- gritou Piotr e não obteve resposta. Então o vulto maior desmoronou sobre a neve com o pequeno por cima... e Piotr teve que conter-se para não ir em socorro da mulher que amava. Em parte porque sabia que já era tarde, e também porque sabia que iria morrer. E não podia se dar a esse luxo. Havia seis almas dormindo no quarto ao lado do seu que agora, mais do que nunca dependiam única e exclusivamente dele.
Piotr já ia fechar a porta quando o pequeno vulto desgrudo do corpo de Olga e veio, numa velocidade espantosa, parar defronte a porta. E mesmo sabendo que estava seguro dentro do seu lar Piotr teve que esforçar-se para não sair correndo.
Abaixando-se ele observou atentamente cara a cara a menina de uns doze anos, precariamente vestida que tinha estampado no rostinho sujo de sangue um sorriso de presas afiadas como navalhas, tudo emoldurado por uma densa cabeleireira loira.
Então, ciente de que a lenda era verdade e que aquele demônio não podia entrar a menos que fosse convidada, Piotr levantou-se e fechou a pesada porta de madeira, deixando do lado de fora aquele pequeno horror.
Créditos: Contos e Lendas de Terror
Por Sandro Malheiros
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