Conto sobrenatural: A casa
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A Casa
Conto sobrenatural
No bairro antigo da cidade, havia uma casa que ninguém conseguia lembrar de ter visto antes, mas que todos juravam que sempre esteve lá. As janelas eram escuras como breu e a porta rangia mesmo quando ninguém entrava.
Clara passava por ali todas as manhãs, indo para o trabalho. Naquela semana, sentiu uma curiosidade que não podia ignorar. Aproximou-se da porta e percebeu um bilhete colado com uma fita amarelada:
"Entre, e volte com o que você perdeu."
Ela hesitou, mas algo naquelas palavras — não o convite, mas a promessa — fez seu coração disparar. Empurrou a porta. O interior estava escuro, exceto por uma luz fraca que vinha de um corredor estreito. Ao caminhar, percebeu que as paredes não eram feitas de tijolos, mas de lembranças: fotos antigas, brinquedos quebrados, cartas amareladas. Cada coisa parecia familiar, mas nenhuma era exatamente sua.
No final do corredor, encontrou uma mesa com um pequeno espelho. No reflexo, viu seu próprio rosto, mas também o rosto de alguém que ela tinha esquecido há muito tempo — um irmão que desaparecera quando ela tinha cinco anos. Ele sorria, mas os olhos estavam vazios.
Uma voz sussurrou atrás dela: “Você veio buscar o que perdeu.”
Clara estendeu a mão. O espelho tremeu. E quando tocou a superfície, tudo se apagou — a casa, o corredor, o irmão — e ela se viu de volta à rua, como se nada tivesse acontecido. Exceto por uma coisa: o sorriso no reflexo que agora se escondia no fundo dos seus olhos, sempre que olhava no espelho do banheiro.
E a casa? Bem, ela continuava lá, à espera de quem tivesse coragem de entrar.
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