O Farol do Inferno Conto de terror
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O farol antigo jazia à beira do penhasco, abandonado, mas ainda pulsava com uma luz fraca, irregular, como se respirasse. Elias subiu pela trilha lamacenta, atraído por uma sensação que não conseguia nomear. O vento uivava e carregava vozes distantes, sussurros em línguas que nenhum homem deveria ouvir.
No topo, o farol girava sozinho, e dentro, a escada de ferro retorcido parecia se estender até o céu. Cada degrau rangia sob o peso de sua presença, e sombras se contorciam nas paredes como serpentes famintas. Elias sentiu algo observando-o do teto escuro, olhos invisíveis que perfuravam sua mente.
Ao chegar à cúpula, a lanterna refletiu uma paisagem impossível: um oceano sem horizonte, com estrelas que queimavam como brasas verdes e criaturas imóveis, gigantescas e indiferentes, mergulhadas em um silêncio que esmagava a alma. A luz do farol não iluminava o mundo; iluminava os olhos dele, revelando memórias que não eram suas, eras que nunca existiram, universos que respiravam em sua carne.
Elias caiu de joelhos, sentindo a realidade se despedaçar ao seu redor. O farol riu — ou talvez fosse o universo — e, por um instante, ele compreendeu que sempre estivera ali, apenas aguardando o momento em que olhasse de volta.
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