História por Sandro Malheiros
O pesadelo era sempre o mesmo. Jorge caminhava por uma floresta sombria, um vento frio soprando as folhas caídas no chão, um cheiro de podridão pairando no ar.
E então, de repente dois olhos como brasas o espreitam da escuridão. Cada vez mais perto. Jorge não consegue ver o que é a coisa. Sabe apenas que se ela o alcançar ele morrerá.
Ele tenta virar -se e correr. Mas suas pernas não se movem. Elas parecem pesar como se feitas de chumbo. E o cheiro... quanto mais a coisa se aproxima, mais intenso o fedor fica. Cada vez mais, e mais.
E então ele acorda em seu quarto, debaixo de suas cobertas. Normalmente é assim que o pesadelo acaba. Normalmente. Porque nessa noite em particular o pesadelo não acaba. Na escuridão do seu quarto ele encherga dois olhos como brasas vivas na escuridão do quarto. E o cheiro, ah o cheiro. Parece empestear o quarto inteiro.