Ratos de Esgoto História de terror.
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História de terror.
As crianças diziam que era lenda, mas os garis sabiam a verdade. Lá em Blumenau, quando a chuva engrossava e o nível do rio subia, algo sempre vinha junto com a correnteza: o barulho — aquele arranhar lento de unhas grandes demais para serem de ratos comuns.
Numa noite de dezembro, o esgoto transbordou atrás da Rua São Paulo. A tampa de ferro bateu sozinha, ergueu-se alguns centímetros. Depois mais. Então virou de lado, como se algo a empurrasse de baixo para cima.
O primeiro a sair foi um rato do tamanho de um gato, o pelo molhado brilhando sob o poste. Não fugiu nem se escondeu. Ficou ali, parado, como quem avalia território. Seus olhos eram de um vermelho baço, sem reflexo. O focinho tremia, mas não pelo cheiro — parecia farejar a própria escuridão.
O segundo saiu logo atrás. Depois o terceiro.
Mas o pior não era o tamanho. Era a forma como se moviam: coordenados, lentos, silenciosos, como se estivessem ouvindo algo que nenhum humano era capaz de escutar. E então, todos ao mesmo tempo, viraram a cabeça para a casa no fim da rua — aquela abandonada desde a enchente de 2008.
Dizem que o morador mais velho, seu Afonso, abriu a janela para ver o que era aquele barulho. Viu apenas três sombras enormes, baixas, avançando pelo quintal. A luz fraca da cozinha piscou, como se algo passasse por dentro dos fios. E quando ele piscou de volta, os bichos já estavam olhando para ele, erguidos sobre as patas traseiras, como gente.
Ninguém soube explicar por que a janela estava aberta quando encontraram a casa vazia na manhã seguinte. Nem por que havia marcas de arranhões a quase dois metros de altura na parede.
E, lá no fundo do esgoto, o barulho continua. Arranhando. Esperando a próxima chuva. Porque, em Blumenau, o rio sempre sobe — e eles sobem junto.
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