Terror em Curitiba - uma história de lobisomem

 Terror em Curitiba 

Uma história de lobisomem 

História de terror 

Era uma noite fria em Curitiba, daquelas em que a neblina sobe do chão e engole os postes. Dois policiais, Silva e Mendes, faziam patrulha pela região do Parque Barigui. O rádio chiava de vez em quando, mas nada relevante — só uma viatura chamando outra, ecos de rotina.

Eles dobraram numa rua estreita atrás do parque, onde poucas luzes chegavam. Mendes parou o carro, franzindo a testa.

— Tem cheiro estranho aqui — disse, a voz baixa. Um cheiro de ferro velho, de terra molhada… e algo mais, indefinível, animal.

Silva riu nervoso:

Lobisomem? Já caiu no conto do vigário da cidade inteira.

Mas os dois ouviram o som, como passos pesados, cadenciados, correndo entre os arbustos. Nada visível, só o som, e o vento carregando o cheiro.

Mendes pegou a lanterna e apontou para o escuro. Entre as árvores, algo se moveu rápido demais para ser humano. Grosso, curvado, peludo, e os olhos refletiam a luz da lanterna, amarelos. O corpo parecia grande demais, arqueado, os músculos saltando sob a pele.

— Silva… — a voz de Mendes falhou.

O som do rádio se calou, e o carro parecia engolido pela noite. Eles viram a criatura em silêncio absoluto. Nenhum rugido, só a presença, algo que crescia ao redor, como se a própria sombra tivesse vida.

Silva disparou a arma, mas não ouviu o tiro. A criatura recuou um instante, desaparecendo entre a neblina. Um uivo baixo e úmido ecoou pelo parque, e o frio da noite parecia mais profundo.

Quando finalmente conseguiram falar, Mendes disse, quase sussurrando:

— Temos que ir… mas sei que não é a última vez que vamos ver isso.

Saíram sem olhar para trás, mas Silva, no reflexo do retrovisor, jurou ver a silhueta da criatura seguindo-os entre as árvores, desaparecendo apenas quando eles chegaram à avenida iluminada.

No dia seguinte, ninguém acreditou na história. Até o cadáver de uma moça que sairá cedo de casa ser encontrado próximo ao parque. Retalhado. 

A noite, nos arredores do Barigui, moradores ainda dizem ouvir passos pesados, o cheiro de ferro e terra molhada, e olhos amarelos entre a neblina.


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