Vc conhece Jess e Leslie? Micro contos. Fantasia
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O REENCONTRO
Já se perguntou como seria um reencontro entre esses amigos? Jess e Leslie? Lembra deles? Terabitia.
Jess chegou em silêncio. Não havia portões nem luz forte, só um campo aberto que lembrava, de algum modo, a margem do riacho onde tudo começara. O ar tinha aquele cheiro de manhã depois da chuva, como se o mundo tivesse sido lavado há poucos minutos.
Ele caminhou devagar. O corpo já não pesava. A memória também não doía tanto. Era como acordar de um sonho longo demais.
Do outro lado, alguém esperava.
Leslie estava sentada na raiz de uma árvore grande, balançando as pernas como fazia quando estava viva. Não tinha envelhecido um dia. Quando o viu, sorriu — não o sorriso largo e travesso da infância, mas um pequeno, seguro, como se já soubesse que ele viria, cedo ou tarde.
Jess parou a poucos passos, sem saber o que dizer. Ele havia passado a vida inteira com palavras guardadas para esse momento, mas nenhuma parecia suficiente agora.
— Você demorou — disse Leslie, sem cobrança.
— Eu tentei… viver — respondeu Jess. — Do jeito que você teria vivido.
Ela assentiu, suave.
— Eu sei. Eu vi.
Jess respirou fundo, embora ali respirar não fosse necessário. Aproximou-se um pouco mais.
— Pensei em você todos os anos. Até o último.
— Eu sei disso também.
Ela levantou-se. A árvore atrás dela parecia maior que qualquer coisa real. Talvez não fosse uma árvore — talvez fosse apenas a forma que aquele lugar havia escolhido para ajudá-los a se reconhecer.
— Leslie… — Ele tentou novamente. — Eu queria que você tivesse visto. Terabítia continuou.
Leslie deu um pequeno passo para perto.
— Eu vi. Você cuidou bem dela.
Jess baixou o olhar por um instante. A voz saiu quase como um desabafo:
— Achei que, quando chegasse aqui, fosse sentir culpa. Mas… não sinto.
— Porque não precisa — disse ela, encostando a testa na dele, como duas crianças que se afastaram muito tempo e enfim se reencontram. — Você me carregou o bastante. Agora pode descansar um pouco.
Ele fechou os olhos. Não havia peso, nem medo. Só a sensação de que algo que ficou incompleto por décadas finalmente se alinhava.
— Vamos? — perguntou Leslie.
Jess abriu os olhos. — Pra onde?
Ela sorriu, simples, como sempre.
— Pra onde a gente quiser.
Então, juntos, começaram a caminhar. O campo ao redor mudava devagar, como uma imaginação que ainda está se formando: um tronco caído aqui, um brilho de corda improvisada ali, uma sombra de castelo ao fundo. Nada totalmente sólido. Nada totalmente explicado.
Apenas a promessa de que, dessa vez, eles poderiam atravessar para Terabítia lado a lado — sem pressa, sem medo, sem despedidas.
E Jess, pela primeira vez em muitos anos, sentiu que estava voltando para casa.
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