O Lobisomem no Cemitério

O Lobisomem no Cemitério 
Um conto de terror.
Clovis era guarda noturno em um cemitério numa pequena cidade do interior de São Paulo. Até aquela Quinta Feira de Agosto de 2025.
Ele estava sentado em uma cadeira do lado de fora da administração, escutando a interpretação de Triste Berrante das Irmãs Galvão no YouTube. Eram onze horas de uma noite fria.
Depois de conferir o horário no celular ele levantou-se, chaveou a porta do prédio e foi fazer a ronda.
A lua cheia clareava boa parte do terreno mas havia sombras espessas sob as árvores.
Clóvis andava devagar pelo caminho asfaltado, até sentir algo estranho. Um cheiro insuportável de sangue e carne podre.
 Embora não fosse supersticioso ele parou, sacou o trinta e oito que trazia consigo e ficou observando enquanto lembrava-se das histórias macabras que o seu antecessor costumava contar e nas quais ele, Clóvis, teimava em não acreditar.
O ronco veio de entre as sepulturas a sua esquerda. Selvagem. Gutural. Animalesco. Ele virou-se naquela direção apontando o revólver na direção das sombras de um grande pinheiro. E então viu.
Duas órbitas amarelas que o observavam da escuridão. Órbitas que pareciam analiza-lo, medindo da cabeça aos pés. Clóvis deu dois passos para trás e engoliu em seco quando a coisa saiu de entre as sombras. Era enorme, vinha ereta e tinha presas e garras ameaçadoras.
Foram dois disparos a queima roupa. A coisa pareceu nem sentir. Clóvis virou-se e correu como se o diabo estivesse em sua cola. E estava.
Podia ouvir a coisa correndo atrás de si no caminho asfaltado.
A coisa o alcançou quando faltavam poucos metros para a segurança. O atirou contra o asfalto e cravou as presas em seu pescoço.

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