O Som do Quimono Molhado


O Som do Quimono Molhado



A casa ficava no limite da vila, onde o bambuzal começava a se fechar como dedos entrelaçados. Ninguém passava por ali depois do pôr do sol. Não por medo declarado — no Japão, o medo raramente precisa ser dito — mas porque o ar ficava pesado, como se a noite respirasse.

Havia um poço no quintal.

Era antigo, de pedras escurecidas por musgo e tempo. Mesmo no verão, exalava um frio úmido, um frio que não vinha da água, mas de algo que permanecia abaixo dela.

Os moradores diziam que, em certas noites, ouvia-se o som de tecido sendo torcido. Lento. Persistente. Como um quimono molhado sendo espremido por mãos invisíveis.

A mulher que ali morrera chamava-se Aiko.

Em vida, fora esposa obediente, rosto sempre baixo, palavras medidas. Seu marido era um homem respeitado, e isso bastava para que ninguém perguntasse sobre os hematomas escondidos sob as mangas longas, nem sobre os gritos abafados que às vezes escapavam pela madrugada.

Quando Aiko desapareceu, disseram que havia fugido. Quando o poço foi fechado, ninguém comentou por quê.

Anos depois, um professor recém-chegado à vila alugou a casa. Era um homem prático, instruído demais para superstições. Mandou reabrir o poço, dizendo que precisava de água limpa.

Na primeira noite, sonhou com cabelos negros flutuando na escuridão. Na segunda, acordou com os pés gelados, como se estivesse em água até os tornozelos. Na terceira, ouviu o som.

Shuru… shuru…

Levantou-se com uma lanterna. O quintal estava coberto por uma névoa baixa, rasteira. O poço, aberto, parecia mais fundo do que deveria ser. A luz não alcançava o fundo.

Então ele a viu.

Ela não subiu do poço. Ela apareceu.

Aiko estava ali como os yūrei sempre estão: os pés não tocavam o chão, o corpo levemente inclinado para a frente, como alguém eternamente pedindo desculpas. O quimono branco colava à pele, encharcado. Os cabelos cobriam o rosto, mas o professor sentia o peso do olhar por trás deles.

Ela não avançou. Não gritou. Não o atacou.

Apenas torceu lentamente a manga do quimono. A água escorreu, pingando no chão seco. Cada gota ecoava como um sino fúnebre.

O professor tentou falar. Nenhuma palavra saiu.

Então Aiko ergueu a cabeça.

O rosto não estava apodrecido. Não havia feridas visíveis. O horror estava na expressão — um vazio absoluto, uma tristeza tão profunda que parecia ter apagado qualquer traço de humanidade.

Quando ela abriu a boca, não saiu voz alguma. Mas o professor entendeu.

Ela não buscava vingança. Buscava reconhecimento.

No Japão, dizem que os fantasmas não partem enquanto o sentimento que os prende não for ouvido. Aiko não queria punir o mundo. Queria apenas que alguém soubesse que ela sofreu. Que alguém, enfim, visse.

Na manhã seguinte, o professor foi encontrado no quintal, ajoelhado diante do poço. O corpo estava seco, intacto. Mas seus cabelos haviam embranquecido por completo.

O poço foi fechado outra vez. A casa, abandonada.

Ainda hoje, em noites muito quietas, quando a neblina desce do bambuzal, alguns juram ouvir o som de tecido sendo torcido.

Não com raiva. Não com pressa.

Mas com a paciência infinita de quem sabe que, cedo ou tarde, alguém vai escutar.

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