Aquilo Aprisionado nas Sombras.

Suzane Larrat desceu a longa escadaria deixando para traz  todos os seus ajudantes..

"Tolos supersticiosos." 

Assim ela pensava enquanto seus pés avançam degrau a degrau pelo túnel escuro, estreito e úmido munida apenas de sua coragem e de uma tocha e também da perspectiva de encontrar o tesouro e os conhecimentos  que as lendas diziam haverem nas profundezas daquelas câmaras.

Durante uma hora ela desceu até chegar na base da escada. Seus pés encontraram terreno lodoso. Ela parou. A chama da tocha iluminava muito pouco da camara aonde chegara.

"Melhor não arriscar." pensou Suzane.

Além do mais havia um ruído estranho. Como se algo vivo e enorme se mechesse nas sombras.

Suzane Larrat virou-se e um arrepio percorreu seu corpo. Gritou. A escadaria pela qual hávia vindo desaparecera.

Sentiu algo tocar suas costas. Um novo grito. Ela virou-se assustada. O pouco que viu fez seus olhos vidrarem. Suzane caiu ajoelhada, um fio de baba  escorrendo do canto de sua boca.

"Obrigado, verme. Meu corpo é volumoso demais para percorrer essa passagem até a superfície."

Uma luminosidade verde formou-se em volta da arqueóloga e foi diminuindo lentamente até desaparecer.

Então ela levantou-se, limpou a boca com a manga de sua camisa e virou-se. O túnel apareceu a sua frente. A velha entidade, a tantos milênios aprisionada começou a subir rumo a um mundo que nunca mais será o mesmo.

Lá no fundo, na escuridão ancestral, Suzane abriu olhos que não eram seus e soltou um grito com uma boca que não era a sua. Se pudesse chorar, choraria. Mas seus novos olhos não foram feitos pra isso.

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