História de assombração.
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A última luz da rua ficava longe.
Paulo atravessou o portão enferrujado e entrou no quintal. A casa da avó estava fechada fazia meses desde o enterro.
Ele veio buscar alguns documentos.
A varanda rangia sob os passos. A porta abriu com dificuldade. O cheiro de casa parada estava forte.
Dentro, tudo permanecia no lugar.
O sofá coberto com um pano.
A mesa com o terço.
O relógio parado na parede.
Paulo passou pelo corredor e entrou no quarto.
A cama estava arrumada.
Ele abriu a gaveta da cômoda.
Papéis velhos. Fotografias. Certidões.
Quando se virou para sair, ouviu um barulho baixo na cozinha.
Algo como uma panela tocando o fogão.
Ele ficou imóvel.
A casa estava vazia.
O barulho veio outra vez.
Paulo caminhou até o corredor.
— Tem alguém aí?
Silêncio.
Ele chegou à porta da cozinha.
A panela estava no fogão.
E a tampa tremia devagar.
Como se algo estivesse fervendo lá dentro.
Paulo deu mais um passo.
A tampa parou.
Então uma voz baixa veio de dentro da panela.
A mesma voz fraca da avó.
— Filho... você chegou cedo hoje.
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