O Vizinho Pontual

 O Vizinho Pontual

O senhor Arnaldo era um homem de hábitos rígidos.

Às seis da manhã ele regava as plantas.

Às sete lia o jornal.

Às oito saía para caminhar.

Quando morreu, o bairro inteiro compareceu ao velório.

Na manhã seguinte, às seis em ponto, alguém regou as plantas.

Às sete, o jornal havia desaparecido da varanda.

Às oito, o portão abriu devagar.

Dona Celeste espiou pela janela.

O senhor Arnaldo passou pela calçada… pálido, rígido, com terra ainda presa nas unhas.

Ela comentou com o marido:

— Viu? Sempre disse que ele era um homem de palavra.

Prometeu que a morte não mudaria sua rotina.

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